CRÍTICA "Elementos": Um Romeu e Julieta à moda Pixar...


Nota: 3,2/5 🌕🌕🌕🌘🌚
Direção: 3,4/5
Roteiro: 3/5

...mas sem a criatividade de outrora. Essa é a sensação ao assistir o novo filme da Pixar: déja vu. A empresa, que adquiriu imensa simpatia do público com suas animações ousadas e roteiros inteligentes e emocionantes (vários deles indicados ao Oscar), vem errando o alvo nas suas tentativas mais recentes. Apesar de conquistar o aclamação e o Oscar de Melhor Animação de 2021 com Soul, e o bem recebido Turning Red (também indicado ao Oscar, em 2022, mas perdendo para Pinóquio de Guillermo del Toro), a divisão da Disney viu Lightyear, spin-off de Toy Story, fracassar na recepção pública e no retorno financeiro. Acontece que a empreitada do estúdio na jornada científica/filosófica de Buzz Lightyear perto de um buraco negro, falha em comunicar sua natureza através da linguagem mais infantilizada tradicional das suas animações. Até Interestelar (2014) de Christopher Nolan, que se estabelece justamente em cima destes conceitos, vê seus furos de roteiro no emaranhado esboço que é a teoria científica a respeito da viagem no tempo e outras dimensões. Mas os conceitos complexos passam longe quando se trata de Elementos. Depois do aclamado Coco (2017), as sequências Os Incríveis 2 (2018) e Toy Story 4 (2019) demonstraram desgaste na capacidade de se reinventar e manter vivas as franquias tão amadas.

O problem de Elementos não é a temática batida dos "amores proibidos", mas o desenvolvimento previsível e fraco do roteiro. Cenas divertidas, piadas funcionais, direção de ação envolvente e personagens simpáticos não impedem que o filme tome caminhos desagradáveis e entediantes. O plot principal, por exemplo, além de pouco original é cansativo, e cria retorna à eterna sina dos filmes Disney/Pixar de ter como vilão um dos pais ou avós do protagonista. A trama esticada não somente rompe nossa simpatia com o pai da Ember, como exibe uma das maiores fraquezas desta produção: dentre todos os personagens, a protagonista é a menos interessante. Não bastasse sua falta de personalidade e passividade dentro de um arco dramático simples, seus traços visuais são tão fracos que mais parece um desenho 2D dentro de uma animação 3D.

Neste ponto, o visual de Elementos é dicotômico. Quando os animadores humanizam os seres fantásticos ou animais, eles estão se valendo empatia gerada em nós, espectadores humanos, ao reconhecer traços familiares. Ember possui lábios e olhos que mal parecem stickers colados sobre um desenho de chama. Sua fragilidade e desenvolvimento sem graça contrastam com a divertida animações dos elementos água, terra e ar. São eles, aliás, que entregam as melhores cenas do filme, e a família de Wade é o ponto alto. De resto, a Cidade Elemento é pouco explorada, com uma ideia semelhante a do filme Zootopia (2016), mas com o plot de West Side Story (1961). Se o musical de 60 anos atrás já parecia utilizar de um plot antiquado, o que dirá de uma animação computadoriza que custou 200 milhões de dólares. Somado à uma trilha sonora de tom diáfano eficiente (porém mais do mesmo dentro da discografia de Thomas Newman), Elementos é um filme esquecível, com um universo complexo como o de diversos outros filmes da Pixar e desperdiçado por roteiros preguiçosos que realçam a necessidade de valorizar os bons roteiristas que exigem seus direitos - só recentemente atendidos, dando fim à greve que já durava meses.

Apesar de ter chances de pintar nas categorias de Melhor Animação e Melhor Trilha Sonora Original no Oscar 2024, cada vez mais o protagonismo de gênero neste ano de 2023 vai ficando com Homem-Aranha: Através do Aranha-Verso. Caso a sequência do aclamado filme da Sony vença a categoria de Melhor Animação, assim como seu antecessor, será apenas a terceira vez na história que Disney e Pixar ficam sem ganhar a categoria por mais de um ano consecutivo. A última vez foi em 2007.

E você, o que achou de Elementos, da Pixar? Comenta aí!

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