Farra di Soligo - Itália (Crônica 1)



Olho para as vinícolas e lembro do meu lugar. Sinto o cheiro da primavera e lembro das flores em minha terra. Quantas vindimas nos separam? Qual brisa que chegue até mim, parece-se com o minuano. É dia de Festival do Morango aqui, e só penso nas frutas tropicais. Há um ar de nostalgia que sempre me faz lembrar de lá. Gotas de vinho bom, sabores de culinária europeia, e só lembro do gosto das bocas do Brasil. Que assuntos toscos poderia eu ouvir da fria indiferença clássica do Velho Mundo? Sinto falto dos erros, preocupo-me com as besteiras que estão fazendo. Queria estar fazendo junto. Mude minha opinião. A inflexão da certeza evoluída deste lugar não combina com meus destemperados sentimentos de colonizado perdido. Em sopés de montanhas tão famosas, penso nos becos. Quero os abraços e os amores que desperdicei. Onde andam os meus segredos? Quero o medo de ter minhas verdades reveladas por aqueles que as sabem. Minha terra guarda o pior de mim, e garanto que isso é o que me há de melhor.



* Esta é uma ideia para um série de crônicas inspiradas em lugares aleatórios sorteados pelo Google Earth, de acordo com a ideia que me vir a cabeça no momento.



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